Sem Surpresas
 

Aqui estou dentro de um cubo cilíndrico tentando a esmo esconder-me de mim. Esconder-me do tempo, talvez. A manhã invade por entre os curtos espaços deixados, por entre a brecha da porta entreaberta, mas não com a mesma lentidão de antes. Encontra-me a mirar-me no espelho, os meus olhos cansados, os meus cabelos crespos e a minha barba mal feita. Um fio branco perdido, uma prenuncia dos anos que hão de vir e a prova dos que já foram. O tempo está passando mais veloz do que se havia imaginado: esmagador e imperdoável. Tempo justo! Até bem pouco, eram as ansiedades, os primeiros gestos, o sorriso primário, os pequenos e fundamentais passos originais. O tempo também era severo, mas havia a distração, pouco se notava. A lei da vida nos subtrai aos que nos amam. O tempo rege a sua maneira, a máquina de envelhecer, e envelhecemos destituídos do que nos dá prazer ou de quem amamos. Cresci e o mundo me foi pequeno e eu continuo pequeno e tenho que crescer muito ainda, pois o mundo, agora não é tão pequeno quanto eu. O tempo pôs em mim, o adolescente rebelde com ariscas aventuras, depois o jovem cheio de dúvidas e incertezas dando espaço a alguém adulto, um estranho irreconhecível, longe da criança que fui. Tempo ingrato! Tira-me a doce e pura alegria juvenil ao mesmo tempo em que me impele as rugas, as ilusões da vida e a certeza de que nada é para sempre. Pare tempo! Se tu levaste de mim a ingenuidade de antes, deixe-me pelo menos este sorriso da certeza de um amor que ainda carrego em mim. Não nas fotografias, que você mesmo encarregará de corroer. Não nas imagens de fitas, que o mofo aniquilará. Não nas longínquas lembranças que você será capaz de fazer-me esquecer, mas na doce e conceituada presença desse sentimento divino que hei de levar comigo, com ou sem a sua aprovação, com ou sem o consentimento de quem amo. Tolice minha, avance tempo! Dia após dia, tempo após tempo. Assim como você trouxe-me uma lição, assim espero outras mais. Assim como você trouxe-me o amor, assim espero outro maior. Você precisa atrair e seduzir jovens almas pecadoras para o aconchego do nosso criador. Entender o sentido em cada sentido, entender a vida em cada vida, enfim, entender o amor em cada amor. Se o tempo precisa levar-nos, que seja então, ao menos brando e leso possível e que possamos ver a veracidade do perdão e a bondade que devemos extrair dos nossos corações. Que possamos também descobrir o caminhar sem medo do que é crescer: uma nova etapa, a fase seguinte, o próximo aniversário



Escrito por Lunático às 00h10
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O amor é viver. O amor é a vida com vida. O amor se vive como a vida.
O amor é o convite à vida. O amor é a própria vida.
O amor, apenas é a plenitude do pleno.
É sentir-se só em plena multidão. É não sentir falta de nada quando se é amável.

É viver no deserto. É o sorriso triste sozinho. É a alegria de um retorno do sorriso saudoso. É perder a fome. É querer ficar mais bonito. É querer estar... Abraçar... Beijar.
É à busca de si mesmo em alguém. É o encontrar-se em alguém. É dádiva divina.
É a razão. É a paixão. É a esperança. O sonho. É o sim. É paz. O olhar risonho.
É a maior lição que podemos aprender. O maior ensinamento que podemos oferecer.
É o melhor aprendizado que devemos ter. É o bom de se viver.
É morrer e renascer em si. É se ver em outros olhos. É vê-la nos seus. É não parar de pensar.
É à volta à infância. É a pureza. É o senhor da sentimentalidade.

O amor é imaginar que podem envelhecer juntos. É confiança. É honra. Responsabilidade.

É o reflexo da alma.
É a presença de Deus. É a vida na Terra. É a vida eterna.
É a vida. O amor é tudo. É amar.



Escrito por Lunático às 16h00
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