|
|
| |
Dos Defeitos...

Honráveis defeitos imperfeitos, que em contramão o caminhar me propõe, do histórico aprendizado adquirido, em exigência da hipocrisia contraditória, a intolerância insana e irreal minha, em meu parcial estado de loucura breve de minha existência. Amorosos defeitos iludidos, que em fragilidade mexem e remexem, das emoções precárias minhas, de dependente parecer me fazem de aprovações irracionais não convencionais. Invisíveis defeitos gritantes, que de prazer invadem os sentidos meus, que em turbulentos ares voar me fazem em busca de defeitos verdadeiros, a virtudes falsas transformadas ir. Secretos defeitos imaginários, da contravenção porção perigosa, da ebulição sem surpresas de mentiras e verdades, em paralelas andanças pressentidas, do certo e o errado, da cumplicidade a interrogativa, entre as falsidades das virtudes e a realidade mágica dos defeitos. Diferentes defeitos ambíguos, que me unir faz, da alma acorrentar a sutileza de conselhos amigos, que amar não é apoiar-se e segurança de companhia não provém. Medroso defeito inseguro, que das dúvidas prossegue a traição, que o perder me faz excluir o bem que conquistar eu poderia se de medo não fosse o tentar. Vertigem defeito em caminhar, se em escala final do percorrido caminho um destino me espera, meus passos, portanto devo medir, a atenção no que faço, no que fazem, os que por mim dão a graça e os que, por quais a graça é dada por mim. Anônimos defeitos que com o vigor dos primeiros trechos, vulnerável é meu ser, todavia se assim o dilema procede, acredite que o caminho de pedras de tais forças o coração partirá, ao tão pouco sol imagino. Divinos defeitos frutíferos que com os pecaminosos uma batalha há de sempre travar, uma incessante busca de mim, uma jornada hei de ir, desconhecendo eu o que pode acontecer sem a conseqüência dos fatos conhecer. Oportunos defeitos cínicos, que em sorrisos meus, lembro dos que de choro existem, para os quais os de mágoa sofrem, que meu riso não os ofenda, e que choro algum meu, a angustia não se desfaça em outros o aventurado sorriso. Suaves defeitos puros, que sozinho simplesmente, neste paralelo eu veleje e que, ao unicamente sentir, é necessária unção em mim. Fiéis defeitos conselheiros, que de ora o pranto me faz ao duro presente, o incerto futuro que me aguarda com a mesma intensidade venha, pois assim me for custo o preço eu pago, não importando a altura da queda que profetiza. Impertinentes defeitos passados, que ao meu lado permanecer insistem, que o brilho de gestos momentâneos ofuscam por lembrança dolorosa. Ah defeitos futuros! Se ao futuro fosse eu, em nada mudaria, já que o que fazer irei o fruto de hoje seria. Quantos defeitos necessários serão para assim o aprendizado findar-se, e por fim, repousado ir?
Escrito por Lunático às 23h56
[]
[envie esta mensagem]
|
|
|
|
| |

Foi com aquele abraço... Assim se fez aquele momento. Estavam tão colados que pareciam ser um corpo só. Pareciam estar livres, parecia que algo ainda os incomodava. Ele, aflito por não ter, mas contente de estar exatamente onde deveria estar (nos braços dela), ela triste, mas amorosa; feliz, mas insegura. Sem saber ao certo o que pensar. Os braços dele que a apertava forte idealizaram que ali, poderiam fugir para qualquer lugar. Fugiriam do medo... Do passado, fugiriam da angústia... Da mágoa. Fugiriam do preconceito... Longe de tudo que os afastava. Naquele abraço, eles estavam tão afastados que não podiam dizer uma palavra que não fosse a que estavam realmente pensando, pelo contrário não seria ouvida. Mas tão próximos que podiam ouvir os próprios corações clamando por trégua, clamando por amor, clamando por bênção. Ele pode lembrar de cada momento vivido e não conseguiu imaginá-lo melhor sem ela. Seus olhos apertaram fortes por não acreditar no que os aguardavam, mas sem imaginar nada que não valesse mais do que aquela união. Por um momento ele olhou nos olhos dela que pareciam dizer um milhão de coisas ao mesmo tempo, e uma era tão clara que o fez encher de emoção. Os olhos dela encheram de lágrimas... Lágrimas? Lágrimas que fizeram mudar a palavra que dizia. Lágrimas que o torturaram naquele instante lhe interrogando um por quê? Pedindo abrigo. “Me deixe em paz...” “Não me abandone...” “Me ame...” “Vá embora...” “Segure minha mão...” Tudo sem um ponto final. Tudo sem dizer exatamente nada. Mais uma vez ele a abraçou e desejou escondê-la em seus braços para que nada mais a afligisse. Mais uma vez sentiu o coração dela apertado por não saber o que fazer, e deixou que ela sentisse o coração dele bater espremido por não ter o que queria. Foi nesse momento que ele pensou que seria o último instante juntos e a abraçou mais forte ainda, por não querer ficar longe dela. Foi nesse abraço que ela buscou fundo o ar que veio amargurado, veio lento, um suspiro prolongado. Um ar como que diz “não posso fazer nada”. Um ar de dor. Ele desejou que aquele momento de união fosse eterno, por temer que amanhã não a veria mais. Que não a teria como agora. Temia que amanhã não sentisse o perfume, o ar. Não ouvisse a voz, não sentisse o toque, tudo que viesse dela. Então uma lágrima solitária rolou em seu rosto. Veio devagar e deslizou até o fim. Talvez ele não fosse o que ela esperava, talvez ela não fosse o que ele procurava. Talvez não fosse a hora certa. Talvez foi ela que não quis se arriscar, talvez ele que não agiu como deveria. Talvez não entenderam. Talvez não aceitaram. Talvez o amor deles não fora aceito. Talvez ali fosse o fim. Talvez fosse questão de tempo para um recomeço. Mas assim mesmo se fez aquele momento, com um abraço de despedida, a conclusão que não poderiam ficar juntos. Um adeus. E agora pergunto: O que se faz para se ter um amor? Quanto custa? Quanto resta? O que é preciso para que esse amor seja aceito? Será que o amor não é o mais importante? Quando se acha que não se pode continuar amando? Será possível amar sem desejar quem se ama? Será que escolhemos quem amamos? Será que escolhem a quem devemos amar? Será que é certo desistir de um amor? Será que o amor tem fim?
Escrito por Lunático às 02h02
[]
[envie esta mensagem]
|
|
|
|
| |

- Mãe! Mãe!
- Que foi, meu filho?
- Eu caí! Ta doendo muito!
- Calma, me deixa dar uma olhada.
- Aí mãe! Ta doendo!
- Eu disse pra você não ficar por aí correndo. Quem corre sempre acaba caindo.
- Desculpa mãe, é que eu me distraí. Mãe! Faz parar de doer!
- Você vai ter que ser forte.
- Mas mãe, tô com medo!
- Calma, eu estou aqui.
- Agora vou ter que passar um remédio.
- Mãe! Ainda dói!
- Eu sei.
- Faz passar!
- Só o tempo vai fazer isso. Agora pare de chorar e levante a cabeça.
A mãe dedicada coloca-o na cama pra dormir e com bastante carinho, enxuga as lágrimas do seu filho e diz:
- Agora vá dormir e amanhã será um novo dia e você já vai estar bem melhor.
- Mãe! Vai ficar uma cicatriz?
- Vai sim, meu filho. Mas é pra você não se esquecer que um dia caiu.
- Por que caímos, mãe?
- Para levantarmos melhor e não cometermos os mesmos erros. Para aprendermos uma lição. Hoje você aprendeu que não se deve correr, porque se você correr fica mais fácil de cair.
- Mas mãe, eu gosto de correr!
- Nem sempre fazemos ou temos aquilo que queremos, meu filho. Aceite isso.
- Mãe, você já caiu?
- Várias vezes, meu filho.
- Doeu?
- Ainda dói, mas nunca se deve mostrar o lado ferido. Existem vários tipos de quedas, meu filho e é preciso que sejamos fortes se queremos subir na vida. Devemos suporta a dor de cada ferida. Um dia você vai entender. Agora vá dormir, amanhã você vai estar bem melhor.
A mãe beija a testa do filho e deseja:
- Boa noite, meu filho.
- Mãe! Não apaga luz! Tenho medo de ficar só no escuro.
- Você nunca estará só, meu filho. Não se esqueça disso.
- Eu te amo, mãe.
- Eu também, meu filho. Eu também.
Escrito por Lunático às 00h02
[]
[envie esta mensagem]
|
|
| |
| |
[ ver mensagens anteriores ] |
|
|
|
|