Sem Surpresas
 

E surgi da mentira, do improvável, uma imensa vontade de lutar, em nome do que foi roubado. Destituído do amanhã sem surpresas. Surgi das entranhas deste coração insano que insiste em bater, mas que desisti de sonhar. Que teima em não acreditar, mas que não acredita por amor. Busco olhar de cima de um muro, o mundo que agora me apresenta, o mundo que tento não ver, porque eu não sei mais o que há pra se ver neste mundo. Estou preso a um pavor real de não poder voltar ao mundo que era, e começo a pensar que nem mesmo queria, pois o de hoje é tão ridículo quanto o de ontem. Retalhos de um pedaço. Pedaços de um sonho, de um princípio. Pedaços de uma nação. Pedaços vítimas da inconstância humana. Pedaços da confiança perdida. Vontade de lutar só, no insignificante prazer do egoísmo vitimado pela competitividade do capitalismo, em nome do que se perdeu. Em homenagem do que ainda não foi visto. Perdemos o sentimento de acreditarmos juntos, perdemos a solidariedade, perdemos o sonho em conjunto, perdemos o amanhã. Acreditávamos que seria dessa vez e mais uma vez, vimos que não seria dessa vez. Acreditávamos que venceríamos a queda e mais uma vez a queda, aos nossos pés se fez, vencendo-nos outra vez. E o que virá? E o que vai ser dessa vez? Na antiga filosofia de que nada é para sempre. E aquele sonho que se iniciou, vimos manchar por pobres pessoas como nós, como eles, que se renderam ao poder, a ganância, ao pedestal mais alto. Esse é o preço que pagamos pela antiga filosofia de que é cada um por si. “Vou tirar o que é meu”. Esse foi o lema. E a culpa é de quem? O último que saí, que a luz apague. O último que saí, a conta que pague. Até quando viveremos nesse lema de tempos ingratos? Não temos mais união. A juventude que outrora se via em ruas e em manifestações lutando por um sonho, um ideal. Justiça! Vê-se perdida em frutos do joguinho deles, que era mantê-los afastados. A herança capitalista. O buraco deste mundo. A ridícula mania de ser tudo um motivo de festa. Cadê a honra? Onde está aquela sigla que motivava multidões e as promessas de um futuro melhor? O que dizer das palavras de vitórias que nos levaram a emoção ao batermos no peito, nos glorificando de sermos brasileiros com orgulho? Orgulho? Orgulho em que se trabalha tanto por tão pouco? Orgulho que pagamos muito para o prazer dos outros? Orgulho de perdemos o que ao longo da história conquistamos? Orgulho do desemprego? Orgulho do salário miserável? Orgulho do nosso sistema precário de educação? Orgulho da falta de reformas? Orgulho da corrupção? E eu prometo não mencionar a violência que em minha porta bate, não vou tão longe. Quero ir onde a violência é sem armas e mancha nosso patrimônio, onde os nossos sonhos foram jogados ao léu como poeiras. Onde senhores bem formados e bem educados pela nossa “educação justa e primordial”, competem entre si de quem nos rouba menos ou quem nos mentem mais. Cadê a justiça? E o que se vê hoje é aquela velha história de fazer-se de uma boa imagem para a “próxima cena”. E a apuração dos fatos, onde fica? E onde entra a lei constitucional? Aos poucos, essa “próxima cena” vem invadindo a nossa privacidade fazendo pouco da nossa integridade. A mesma história, as mesmas promessas e as mesmas ilusões. E nós que nunca aprendemos a lição. Sou brasileiro e tenho vergonha desse mundo de faz de contas. De hipócritas sem patriotismo. Esse mundo em que o maior sempre vence, e o pequeno não tem nem chances de subir. Um mundo onde é travada uma guerra injusta entre o patrão e o empregado. O empresário e o “escravo”. E agora me vem à tona gritos de rebeldia de uma nação com fome de vida, de um passado não muito distante. Jovens de caras pintadas clamando nas ruas por justiça. Lembro-me do sentimento de reformulação jovem caminhando e cantando. De jovens valendo-se da interrogação de um trovador solitário: “que país é esse?”. De um certo barão que clamava: “ideologia! Eu quero uma pra viver”. E da plebe que berrava: “com tanta riqueza por aí, cadê sua fração?”. Onde está essa juventude? Onde está essa força? Onde está a nossa dignidade? Onde está o Brasileiro?



Escrito por Lunático às 00h40
[] [envie esta mensagem]


 
  [ ver mensagens anteriores ]  
 
 

HISTÓRICO
 30/10/2005 a 05/11/2005
 23/10/2005 a 29/10/2005
 16/10/2005 a 22/10/2005
 09/10/2005 a 15/10/2005
 02/10/2005 a 08/10/2005
 25/09/2005 a 01/10/2005
 18/09/2005 a 24/09/2005
 11/09/2005 a 17/09/2005
 04/09/2005 a 10/09/2005
 28/08/2005 a 03/09/2005
 21/08/2005 a 27/08/2005
 14/08/2005 a 20/08/2005
 07/08/2005 a 13/08/2005
 31/07/2005 a 06/08/2005
 24/07/2005 a 30/07/2005
 17/07/2005 a 23/07/2005
 10/07/2005 a 16/07/2005
 03/07/2005 a 09/07/2005
 26/06/2005 a 02/07/2005
 19/06/2005 a 25/06/2005



OUTROS SITES
 Filósofos de Calçada
 Um anjo sem asas
 Dyaninha
 As 14 máscaras
 Vedder
 Cabeludo
 In Silent Night
 Jesdros
 Somente palavras
 Ademar
 The ilusion
 Ava Adore
 Olhares e palavras
 Um pouco de tudo que sou
 Bares da Vida
 Espelho da Alma
 Poetas de Ilusões
 Poeta
 Blog dos Los Hermanos


VOTAÇÃO
 Dê uma nota para meu blog!