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Desabafo
Estou pensando em você, minha pequena. Pensando no seu sorriso que a muito me vez acreditar em algo lindo. Por onde andas? Você sumiu. Você não atende mais meu chamado. Com você, eu me encontrei, e agora preciso disso para clarear meu caminho. Quando você mais precisou de alguém, me fiz presente para aparar seu pranto, e nesse momento grito seu nome e você não me ouve. Como você quer que eu a ame se você não alimenta esse sentimento? Também preciso ouvir isso. Como se não bastasse tudo que vivemos até aqui, você ainda tem dúvidas do que sinto por você? Não lhe quero só por um final de tarde, não é o bastante. Você não percebeu isso? Quero amanhecer a seu lado e caminhar contigo por esse caminho que se abrirá sobre nossos pés, carregando nossos sonhos e nossos desejos. Não peço a você que seque as minhas lágrimas, quero apenas seus braços para depositar todo os meus sentimentos, então as lágrimas secaram sozinhas. Você não entendeu que meu silêncio é meu grito de socorro. Mas você não se importou, se fez de despercebida. Não quero as rédeas desse relacionamento. Apóie-se em mim, que eu me apoiarei em você. Essa minha transparência me mata por dentro, e você ainda é uma desconhecida para mim. Mostre-me o que você tem de melhor também. Seus medos, sua angústia, sua mágoa e seus desejos retraídos, só me deixaram apreensivo. Onde ficam as suas palavras quando me calo? Onde fica seu carinho quando fico dormente por dentro? Eu sei que já sofremos muito, que já perdemos muito tempo com paixões injustas e com essa busca desenfreada de encontrar algo verdadeiro em vão. Mas estou aqui, e isso é verdadeiro, acredite. Assim como o seu, meu coração ficou frio por dentro também. Aqueça-me que eu te aquecerei. Não me venha com esse joguinho juvenil. Não venha com algo que poderemos sofrer depois. Esqueça você também do que aconteceu de ruim, de toda mágoa e angustia. Não seja o que você não é, seja sincera. Venha contagiar-me com sua alegria. Alegria essa que me conquistava todo dia. Onde está essa sua alegria? Onde você deixou seu sorriso? Diga-me que eu prometo ir buscar e a farei feliz. Pois com sua alegria, sei que serei feliz. Onde está você?
Escrito por Lunático às 23h32
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Existência lúdica
Estou em uma forma opaca, escorrida completamente sem defesa para dentro de uma estreita quebradiça de existência. Fora de foco, onde a realidade é apenas uma tangente bem diferente de uma representação de mundo. Um mundo que, em seu inteiro, vejo-o sem formato, sem expressão e sem identidade. Uma realidade defeituosa, quase sem linguagem definida, e eu aqui, como um objeto figurativo. Como um ser de linguagem sem rosto, embaralhado pelo o poder dos outros e como que fixo e mergulhado em um sistema demagogo, em formas e artifícios de um “estar no mundo” confuso e dividido. E eu contínuo um estranho, sem mostrar nenhum pensamento que o faça provar o contrário. Mas não me importo com eles. Prefiro continuar assim, fora da realidade, como se eu mesmo me tornasse o limite de um mundo material constituído de imagens e de conceitos feito pela ideologia de ninguém, me sentindo então, um ser desconectado da sociedade, como se de fato eu estivesse assim descaracterizado de um perfil de uma pessoa normal. Prefiro permanecer marginalizado de qualquer ordem simbólica desse mundo de hipócritas, instituídos em um subproduto de mecanismos de opressão de imagem e de violência desordenada, sem indícios de um amanhã em paz com os seus direitos de liberdade utópicos.
Sobrevivo em plena era de um mundo globalizado, em meio às imagens escorregadias e sem vida dessa geração incoerente. Vidas superficiais. Estou sobrecarregado de um convívio sem cor e sem sentimento, que em mim é imposto. Bem como o incômodo de um espaço curto e sujo, de uma noite sem sossego, por conta da correria dessa evolução que nos leva, cada vez mais, a destruição em massa da nossa espécie. Tornei-me um mutante em uma forma ambígua, desprotegido de linguagens e contextos, assim como estou também acoplado à imortalidade de um mundo tosco, feito de ossos e de ruínas de um sonho de criança. Uma realidade natural e pura que foi corroída, indiscutivelmente, pelos os códigos de uma época atual em desajuste. Finjo estar anexado misteriosamente a esse modismo, uma postiça existência, que só interessa aos mecanismos de controle do mundo e aos senhores do auto-escalão em busca de poder, com seus referendos sem lógica, em que a justiça não são para todos, e suas estatísticas sobre violência simbólica e material onde os números são o alvo de discussões e nada mais(apenas os números). Viverei em um intervalo, meu espaço e o seu tempo, meu mundo e o seu, ainda que aflito, mas pretendo seguir com todas as forças que ainda restam em mim, dentro do impenetrável pensamento de um louco, desprovido desse quadro de “normais” que aos muitos, se iludam com a alegria momentânea. De escolha própria, fico ileso, desapegado de tudo e oco dessa apologia. Despercebido como um ser que vive fechado em seu espelho único, sem máscaras e sem surpresas para se mesmo. Agora me endireito em fragmentos de pensamentos avulsos e bocejo, me estico para alcançar as estrelas que criei. Sem pressa e sem articulações, sem formato definido e completamente neutro. Estou quase que imerso, sentimentalmente comovido e constante pelo vai e vem de coisas desacordadas e sem nenhuma presunção do que pode acontecer. A inércia de tudo como conseqüência. Portanto sendo uma ideologia incomum e mal aceita por todos, em minúsculos assuntos de uma página de jornal amassada. Receio à comparação forçosa às histórias sucessivas e mal contadas do cinema mudo. Mas cuidadosamente permaneço amarrado ao mastro de um navio fantasma onde se diz uma vida sem graça, mas uma vida minha, uma vida autêntica, ainda que seja fraca em seu princípio, e não mudarei o rumo de seu destino. Desculpem-me, mas sou um lunático e seguirei assim mesmo, não me vendendo e nem sendo manipulado. E sobre a compreensão e a lógica, o entendimento e a aprovação, não me resta. Se o que é interessante pra mim, é ser diferente de vocês.
Escrito por Lunático às 00h33
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